Pode-se até culpar o mundo, a má sorte, o destino ou os outros…
Mas no fundo é a psiquê nos cobrando preço proporcional por aquilo que lhe negamos por tempo proporcional em nossa vida…
No fundo, a verdade é que não suportamos indefinidamente viver contra nossa verdade como seres humanos integrais como devemos ser.
Vale para todos nós, quem faz da distorção da realidade uma prática cotidiana (ao invés de uma compreensão genuína, seja dolorosa e/ou gratificante), acaba tornando-se prisioneiro e escravo da própria mentira, da própria sombra.
Ao longo de nosso desenvolvimento, desde a nossa mais tenra infância somos expostos a situações que testam nossos limites emocionais, cognitivos e físicos. Assim expandimos em alguns aspectos e retraímos em outros, por razões de sobrevivência e adaptação…
Na nossa jornada de vida, tudo o que jogamos e reprimimos, escondemos sob uma sombra que nos cria a ilusão de “falso conforto”, falso porque irá nos controlar nos momentos mais extremos para muito além do que nossa vontade, ego ou consciência seja capaz controlar…
Racionalizamos que, desta forma, escondemos do mundo o que em algum momento aprendemos a suprimir de nossas características essenciais e que fazem parte de nosso SER humano.
Assim, vamos fragmentando nossa psiquê de forma que somente nossa parte consciente e nosso ego apresentam-se de forma cotidiana, com um desperdício de energia silencioso e constante para continuarmos reprimindo, julgando e negando partes de nossa essência como ser integral.
Partes de que nos envergonhamos, partes que não desenvolvemos ou não expandimos, por motivos que são, na prática, diferentes para cada um de nós, mesmo que em contextos comuns a outras pessoas, mesmo dentro de um ambiente familiar, entre amigos, entre profissionais ou mesmo do inconsciente coletivo que habita as pessoas com quem cruzamos brevemente ou convivemos predominantemente…
Sermos inteiros, com nossas fortalezas e fraquezas exige um nível de consciência que só somos capazes de desenvolver ao longo das experiências que vivemos.
Algumas que nos geram traumas, vergonha ou medo extremo, ativando nosso modo sobrevivência único na natureza…
Outras que nos geram memórias básicas extremamente felizes e gratificantes, que chegam a nos entorpecer e nos desconectar da realidade complexa na qual nos inserimos.
A serenidade é o caminho do meio. A autoreflexão, compreensão e aceitação de cada uma de nossas partes imperfeitas é que nos torna mais próximo de sermos inteiros…
Quanto mais inteiros somos, menos questionamos o que falta na outra pessoa. Quanto mais compreendemos sobre nós, menos o ambiente, as pessoas e os eventos nos tiram de nosso equilíbrio mental, emocional, cognitivo e comportamental.
Um brinde à nossa jornada de vida e a cada gota de consciência que conseguimos a cada instante reconhecer e despertar em nós mesmos…




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