Quando nos damos conta
Da ilusão que vivemos
Sonho comum que desmonta
Falso espelho que cremos
Peças que não encaixavam
Corpos que melhor tratavam
Sentimentos me afetavam
Triagulações se chamavam
Bomba toda de amor
Que o social estilhaçou
Deixando apenas dor
Consciência despertou
Hoje sei quem sou
O tanto que restar
Vou melhorar o que sou
Mudado vou estar
Complexidade tecida e amada
Vidas envolvidas e nutridas
Corações com coragem dedicada
Serão as razões das minhas vidas
Vidas, no plural
Espelho quebrado
Cada caco, nada igual
Mosaico bagunçado
Pode juntar pedaços
Mas imagem que forma
Não terá mesmos traços
A sua imagem deforma
Ainda acredito que há cura
Mesmo que não sei a dança
Por favor, salve-me desta loucura
Será que ainda temos esperança?

